• Quinta, 18 de Junho de 2026

Nova rede de inteligência da segurança tenta sair do papel e integrar polícias

Portaria cria estrutura com centros físicos e troca direta de dados, diferente de sistemas já existentes

KAMILA ALCâNTARA / CAMPO GRANDE NEWS


Policial civil em sala de monitoramento virtual (Foto: Haeckel Dias)

O Ministério da Justiça criou uma nova rede nacional para integrar informações de segurança pública no País. A medida foi oficializada por uma portaria Senasp (Secretaria Nacional de Segurança Pública), publicada no Diário Oficial da União desta sexta-feira (20), e institui a chamada Rede de Centros Integrados de Inteligência de Segurança Pública.

A proposta, à primeira vista, parece repetir estruturas que já existem, como o Subsistema de Inteligência de Segurança Pública e até sistemas específicos como o SINAB (Sistema Nacional de Análise Balística), usado para cruzar dados de armas e munições. Mas a principal diferença está na forma como essa nova rede pretende funcionar.

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Enquanto sistemas como o SINAB são focados em bases de dados específicas, como registros balísticos, e operam de forma técnica e segmentada, a nova rede aposta em integração mais ampla entre órgãos e estados. A ideia é reunir profissionais de diferentes forças em centros regionais e nacionais para análise conjunta de informações.

Na prática, o governo está tentando resolver um problema antigo: a fragmentação da inteligência policial no Brasil. Apesar da existência de sistemas nacionais, a troca de dados entre estados e órgãos ainda é limitada e muitas vezes depende de acordos pontuais.

A Rede Ciisp surge justamente como uma tentativa de mudar esse modelo. A estrutura prevê um centro nacional e unidades regionais espalhadas pelo País, com participação de representantes das polícias estaduais, da União e de outras agências de inteligência.

O diferencial está no modelo operacional. Em vez de apenas bancos de dados compartilhados, a proposta envolve equipes trabalhando juntas, com acesso a sistemas, ferramentas e informações de diferentes origens.

Outro ponto novo é a exigência de participação ativa dos estados. Para aderir, as unidades da federação terão que disponibilizar profissionais, compartilhar sistemas e integrar seus bancos de dados. Não é apenas uma rede consultiva. É um modelo que depende de cooperação direta e contínua.

A portaria também coloca a Senasp como coordenadora central, responsável por padronizar metodologias, oferecer suporte técnico e acompanhar o funcionamento da rede. A secretaria deverá ainda produzir relatórios periódicos para medir a eficiência dos centros.

Especialistas em segurança pública apontam que o desafio não está na criação de novos sistemas, mas na capacidade de integração real. O Brasil já possui estruturas de inteligência, mas a falta de interoperabilidade e a resistência no compartilhamento de dados são problemas recorrentes.

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