• Sexta, 01 de Maio de 2026

Adoçante na dieta é aliado ou vilão? especialista explica os riscos

Segundo nutricionista, a questão não está apenas no excesso, mas também na forma de uso desse tipo de produto

CLAYTON NEVES / CAMPO GRANDE NEWS


Adoçante é usado como alternativa ao uso do açúcar. (Foto: Freepik)

O adoçante virou alternativa comum para quem quer cortar açúcar, emagrecer ou controlar a glicose, mas o debate sobre segurança sempre existiu. Com alertas sobre possíveis riscos cardiovasculares e até recomendações de órgãos de saúde, a dúvida que fica é se o adoçante é aliado ou vilão na dieta.

Segundo o nutricionista Renan Almeida, tudo depende do tipo de adoçante, da quantidade consumida e do contexto alimentar de cada pessoa.

“Os adoçantes não são necessariamente vilões, mas também não podem ser tratados como solução mágica. A ciência mostra que alguns compostos, como eritritol, aspartame e sucralose, precisam de uso consciente, especialmente quando consumidos em excesso ou por longos períodos', explica.

Renan destaca que, em 2023, a OMS (Organização Mundial da Saúde) passou a não recomendar adoçantes não nutritivos como estratégia para perda de peso a longo prazo, após revisão de diversos estudos que não encontraram benefícios sustentáveis para emagrecimento e ainda observaram associação com maior risco de diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares e mortalidade em alguns grupos.

No caso do eritritol, um dos mais populares atualmente, pesquisas reacenderam o alerta. “Estudos sobre saúde vascular e cerebral encontraram associação entre níveis elevados de eritritol no sangue e maior risco de eventos como infarto, AVC e formação de coágulos. Ainda não existe comprovação definitiva de causalidade para a população geral, mas são sinais que merecem cautela', afirma o nutricionista.

Apesar disso, Renan pondera que o problema não está apenas no adoçante em si, mas no consumo excessivo de produtos ultraprocessados adoçados artificialmente.

“Muita gente troca açúcar por refrigerante zero, sobremesas diet ou alimentos industrializados e acredita que automaticamente está fazendo uma escolha saudável. Na prática, pode continuar mantendo o paladar extremamente dependente do doce e consumindo produtos pobres nutricionalmente', diz.

Ele ressalta que, para diabéticos, obesos ou pessoas em transição alimentar, adoçantes ainda podem ter utilidade, desde que acompanhados por orientação profissional.

“Para quem precisa controlar glicemia, por exemplo, eles podem ser ferramentas importantes. Mas o foco ideal é reeducar o paladar para reduzir a necessidade constante de sabor doce, seja açúcar ou adoçante', destaca.

Renan também lembra que adoçantes aprovados por órgãos regulatórios, como a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), continuam sendo considerados seguros dentro dos limites diários estabelecidos, mas isso não elimina a importância da moderação.

“A principal mensagem é equilíbrio. Não há evidência de que o uso moderado seja altamente perigoso para a maioria das pessoas, mas também não faz sentido consumir indiscriminadamente acreditando que é totalmente inofensivo', detalha.

Na prática, o nutricionista recomenda reduzir gradualmente açúcar e adoçantes, priorizar alimentos in natura, usar frutas como fonte principal de sabor doce, ler rótulos de produtos “zero açúcar' e evitar transformar adoçantes em consumo automático diário.

“Em vez de substituir compulsivamente o açúcar, o melhor caminho é diminuir a dependência geral do doce. Saúde não está apenas no que se troca, mas na qualidade global da alimentação', conclui.

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