Coronel Sapucaia
Estado abre revisão de contratos com empreiteira que recebeu R$ 15 mi
Seilog informou que reforçou fiscalização de acordos ligados à empresa investigada
GUSTAVO BONOTTO / CAMPO GRANDE NEWS
Governo do Estado informou, no fim da tarde desta quinta-feira (14), que iniciou revisão e fiscalização dos contratos firmados com a Construtora Rial Ltda., empreiteira investigada na Operação “Buraco Sem Fim', que apura suspeitas de fraudes em contratos de tapa-buraco em Campo Grande.
A manifestação ocorreu depois de reportagem do Campo Grande News mostrar que o ex-diretor-presidente da Agesul (Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos), Rudi Fiorese, autorizou ao menos R$ 15,8 milhões em empenhos, reajustes e aditivos em favor da empreiteira entre fevereiro e maio deste ano.
- Leia Também
- Investigação aponta que só 3,7% de cascalhamento pago era executado
- Contrato na Região do Segredo é “estrela' de operação após crescer 451%
Em nota encaminhada à reportagem, a Seilog (Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística) afirmou que os contratos estaduais ligados à empresa não são alvo da investigação conduzida pelo Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção), mas informou que decidiu ampliar os mecanismos de controle e acompanhamento.
Segundo a secretaria, os acordos envolvem serviços de manutenção e conservação rodoviária considerados essenciais para garantir segurança e trafegabilidade da malha viária estadual.
“O Governo do Estado de Mato Grosso do Sul, por meio da Seilog, informa que já iniciou rigoroso processo de revisão e fiscalização dos contratos vigentes com a empresa investigada no âmbito da operação Buraco Sem Fim', informou a pasta.
A nota também destaca que o reforço na fiscalização busca assegurar “correta e transparente aplicação do recurso público' e fortalecer mecanismos de compliance e transparência já adotados pelo Estado.
De acordo com a Seilog, a revisão ocorre mesmo sem inclusão dos contratos estaduais na investigação aberta pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul.
Os valores autorizados durante a gestão de Fiorese na Agesul envolvem contratos para manutenção de rodovias estaduais em municípios como Três Lagoas e Camapuã, além de obras de drenagem e pavimentação no Bairro Otaviano Pereira, em Jaraguari.
Conforme publicado no Diário Oficial do Estado, apenas em fevereiro a Agesul autorizou empenhos de R$ 1,5 milhão, R$ 500 mil, R$ 622 mil, R$ 1,1 milhão, R$ 85 mil e R$ 1,2 milhão para contratos ligados à Rial. Em março, novos empenhos ultrapassaram R$ 6 milhões. Já em abril, houve autorização de mais R$ 1 milhão para obra de infraestrutura em Jaraguari.
O primeiro aditivo identificado depois da posse de Fiorese no comando da Agesul foi assinado em 9 de fevereiro, sete dias após a nomeação oficial. O documento acrescentou R$ 1,5 milhão ao contrato de manutenção rodoviária em Três Lagoas.
O termo foi assinado por Fiorese e pelo empresário Antônio Bittencourt Jacques Pedrosa, dono da Rial e um dos presos preventivamente durante a operação.
Além do reajuste, Fiorese também assinou termos de renovação excepcional de contratos firmados em 2021 para manutenção de vias em Camapuã e Três Lagoas. As prorrogações ampliaram a atuação da empresa por mais 12 meses.
Somados, os contratos atualizados ligados à Rial alcançam R$ 27,7 milhões, embora os pagamentos dependam da execução dos serviços e das etapas de liquidação financeira.
Entenda - A Operação “Buraco Sem Fim' investiga suspeitas de manipulação de medições, pagamentos por serviços não executados e desvios de recursos públicos em contratos da Prefeitura de Campo Grande. Segundo o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), os contratos analisados somam R$ 113,7 milhões entre 2018 e 2025.
A investigação levou à prisão preventiva de sete pessoas, entre elas Rudi Fiorese, empresários ligados à Rial e servidores públicos vinculados ao setor de tapa-buraco da Capital.
Durante a operação, agentes apreenderam R$ 429 mil em dinheiro vivo. Parte da quantia estava na casa do empresário Antônio Roberto Bittencourt Teixeira Pedrosa, pai do dono da construtora. Outros R$ 186 mil foram encontrados na residência de Fiorese.
Na quarta-feira (13), o juiz Francisco Soliman manteve as prisões preventivas durante audiência de custódia. As defesas dos investigados alegam falta de acesso integral aos autos e pedem revogação das prisões.
Leia mais



Primeira página
Coronel Sapucaia
Suspeito de homicídio morre em operação contra facções
Coronel Sapucaia
PM prende indígena após nova ocupação em fazenda de Amambai
Coronel Sapucaia
Veja as dezenas de hoje na Dupla Sena, Lotofácil, Super Sete e mais

