Coronel Sapucaia
Antes de sequestro, golpistas tentaram vender bilhete de 8 milhões à aposentada
Servidora do TJ foi enganada por “teatro' encenado por estelionatários na recepção de uma clínica médica
ANAHI ZURUTUZA E CLARA FARIAS / CAMPO GRANDE NEWS
A investigação sobre o sequestro relâmpago e tentativa de golpe aplicado contra uma servidora aposentada do TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul) revelou novos detalhes sobre a dinâmica criminosa, que envolveu um suposto “bilhete premiado' no valor de R$ 8 milhões. Conforme apurado pelo Campo Grande News com a PM (Polícia Militar), a mulher foi abordada pelos estelionatários em clínica de exames da Capital e acabou enganada pelo “teatro' encenado pela dupla presa após resgate.
Conforme breve relato da vítima aos policiais, tudo começou quando um idoso “puxou assunto' com ela na recepção do estabelecimento médico, afirmando possuir um bilhete premiado, mas demonstrando dúvida sobre a veracidade do prêmio.
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Em seguida, um segundo suspeito, descrito como um homem alto, branco, com sotaque gaúcho e aparência jovem, se aproximou. Ele afirmou que ligaria para “o 0800 da Caixa' para verificar a autenticidade do bilhete.
Ainda segundo o relato, após a farsa, a dupla convenceu a vítima de que o bilhete era verdadeiro. O idoso teria alegado ser testemunha de Jeová e, portanto, não poderia receber valores vindos de jogos de azar.
Foi então que o “gaúcho' disse ter bolado um plano e convenceu a vítima a ajudá-lo. A ideia era pagar pelo bilhete e depois dividir o suposto prêmio. O idoso aceitaria o dinheiro por não ser oriundo da loteria.
Os suspeitos levaram a servidora aposentada até a casa dela, onde ela tinha dinheiro em espécie – 5 mil dólares e R$ 12 mil reais (cerca de R$ 40 mil). O “gaúcho' foi quem entrou na casa com funcionária pública, tapando o rosto para não ser flagrado pelas câmeras de segurança.
Depois, o grupo foi até a agência Caixa Econômica Federal localizada no prédio do TJMS, no Parque dos Poderes, para tentar um empréstimo em nome da vítima.
Sequestro relâmpago e perseguição – O pedido da servidora, contudo, chamou a atenção de funcionários da agência, que acionaram a segurança do Tribunal de Justiça. Policiais militares que trabalham no local passaram a acompanhar a movimentação.
Segundo a PM, a estratégia era orientar a vítima a não retornar ao veículo, permitindo a abordagem dos suspeitos. No entanto, os criminosos teriam percebido a presença policial e ordenado que a mulher entrasse rapidamente no carro, iniciando a fuga.
Durante a perseguição, um dos policiais relatou ter efetuado disparos contra os pneus do veículo após o condutor avançar contra a equipe. “Efetuei o primeiro disparo na roda do carro. Ele jogou o veículo em cima de mim. O sargento Sirley também efetuou mais dois disparos. O pneu acabou furando, mas eles continuaram a fuga', relatou o sargento Vital.
Fuga para área de mata e apoio aéreo – Após a intervenção policial, o veículo foi abandonado e os suspeitos fugiram para uma área de mata no Parque dos Poderes. A vítima foi resgatada sem ferimentos.
A equipe de segurança do TJ pediu reforços e as buscas contaram com apoio do Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais), do Batalhão de Choque e uso de drone para varredura da vegetação.
Perfil dos suspeitos – De acordo com os levantamentos iniciais, os criminosos atuavam de forma coordenada, alternando papéis para dar credibilidade ao golpe. A Polícia Civil investiga a participação de outros envolvidos no esquema e se a dupla integra uma quadrilha com atuação em outros estados.
As apurações ficarão a cargo da Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros), para onde os dois homens foram levados presos.
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